Durante o período que permaneceu no Brasil, ACG encontrou-se com seu amigo pernambucano, o deputado Annibal Falcão, que prometeu-lhe escrever o libreto para uma ópera sobre o descobrimento da América, sob o pseudônimo de Albino Fallanca.
Em 1892, Gênova anunciara uma grandiosa comemoração em homenagem a Colombo, por ocasião do Quarto Centenário do Novo Mundo.
Era o ano do Quarto Centenário da Descoberta da América por Cristóvão Colombo e Gênova já em 1890 anunciara que realizaria grandes festas, das quais constaria a execução de uma composição musical, tendo como tema Colombo e a descoberta da América.
Abriu-se um concurso para uma nova composição vocal e a obra vencedora seria executada durante as festividades. Nessa mesma ocasião, soubera ele, através de publicações em jornais, que a cidade de Chicago havia instaurado concurso para uma cantata a ser executada, em 1892, por ocasião da grande exposição industrial que se realizaria naquela cidade.
Chicago anunciava para 1893, a inauguração de um dos maiores eventos sócio-culturais do fim do século nos Estados Unidos, a “World’s Colombian Exposition”, cuja programação musical incluía a estréia de uma nova cantata sem tema definido, que seria escolhida entre concorrentes do mundo todo.
ACG viu aí uma possibilidade de ganhar bom prêmio em dinheiro se tivesse sua obra escolhida e de depois trazê-la para o Brasil. Pede ao amigo deputado Annibal Falcão um libreto para uma nova ópera, que seria caprichosamente escrito e entregue em Março de 1892, logo depois de ACG chegar a Milão de volta do Brasil.
Estreou em 12 de Outubro de 1892 no Teatro Lírico do Rio, dia do quarto centenário da América, precedida pela execução solene do Hino Nacional e pela abertura de “O Guarani”.
Os cariocas receberam a ópera com gritos histéricos e assobios que se transformaram em vaias. Aos 56 anos de idade, pela primeira vez, ACG via uma obra sua ser vaiada.
“Colombo” falhou por ser totalmente desconhecida. Se tivesse chegado ao Brasil depois de um grande êxito europeu, o público carioca teria aplaudido mesmo antes de ouvi-la.
Na verdade, as vaias começaram já durante os compassos iniciais do prelúdio, momento no qual ainda era impossível formar um juízo crítico. “Colombo” estreou na época errada.
Na ocasião, reclamou-se que era impossível encenar “Colombo”, porque as cinco trocas de cenário levariam mais tempo do que a curta duração da peça.
Hoje, diante de um público acostumado a cenários virtuais e à farta utilização da multimídia, esse problema desapareceu.
A delicadeza e a ousadia de “O Guarani”, as novidades e as intenções modernizantes da “Fosca”, o paixão e alegria do “Salvador Rosa”, o refinamento técnico e o arrojo de “Maria Tudor”, a harmonia e a regularidade de “O Escravo” e a sinfonia do “Condor”, são qualidades da altíssima inspiração melódica de ACG.
A República tinha vindo para mudar e ACG significava tudo quanto havia de monárquico e ligado a D. Pedro II.
A estréia de “Colombo”, em Outubro no Rio, é acolhida com frieza e perplexidade tanto pelo público como pela crítica, num verdadeiro golpe de misericórdia para aquelas já modestas pretensões do maestro.
“Colombo” não agradou em sua primeira audição no Rio de Janeiro, a não ser a alguns profissionais da música, que perceberam elementos valiosos que eram sutis ao público, que julgava à sua própria maneira e a aceitação ou não de uma obra pelo público, não faz parte do julgamento artístico que dela deverá fazer o crítico ou o expert.
Quase 50 anos depois, obteve pleno sucesso em 1936, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, sob a regência de Villa-Lobos.
“Colombo” representa a síntese da experiência criadora de ACG e sua obra mais acabada.
Muitas obras primas da história da música não foram bem recebidas pelo público em sua primeira execução. “Colombo” é uma obra de alto valor musical, pelo invencível impulso sinfônico que a anima do início ao fim. Última grande composição de ACG é obra de uma época em que ele, aos cinqüenta e seis anos de idade, com mais de trinta anos de ininterrupta atividade como autor de obras dramáticas, chegava ao absoluto domínio dos ilimitados recursos que havia adquirido ao longo de toda sua vida.
Trata-se de obra para o palco que não podia dispensar a ação dramática e que o autor, pensando em cantatas para os norte-americanos, conduziu a este formato. Há cenas em “Colombo” de notável textura teatral com música dramática da mais alta qualidade e emoção. As intenções comerciais de ACG, elaborando uma cantata operística e não uma ópera foram nocivas à sua última obra, que permaneceu sempre no meio da indefinição de empresários e produtores de espetáculos, não se sabendo ao certo se é uma ópera, um oratório, uma cantata...:
“Colombo” é uma obra que requer a partitura de orquestra.
Fazer representar “Colombo” custou-lhe enormes sacrifícios morais e financeiros. Ganhou a batalha, mas saiu muito ferido, numa temporada marcada por tristezas e decepções. O fracasso financeiro acabou piorando a situação de pobreza do maestro. O governo republicano deu-lhe a prova definitiva da indiferença ao seu talento, à obra produzida, ao homem que tanto se empenhara em elevar o nome do país.
Governo e público foram insensíveis neste ano de 1892.
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