ACG ficará dez anos sem levar uma obra nova sua aos palcos e doze anos sem levar uma obra nova sua aos palcos italianos. Será um período de composição e maturação de sua obra prima “O Escravo”, quando ele chegará a seu apogeu como compositor de música dramática.
ACG passou quase toda essa década iniciada em 1880 compondo “O Escravo”, em meio a brigas com o co-libretista Paravicini, transações complicadas, problemas financeiros graves, mas havia já um homem mais maduro e acostumado a enfrentar e resolver os problemas que surgiam. E “O Escravo” é uma mostra disso.
Apesar de sua vida intranqüila, um ACG mais maduro e meticuloso estará presente nesta aprimorada partitura e nesta sua ópera dramaticamente mais bem sucedida.
Paravicini e o próprio Taunay escreveram o libreto, sob cooperação estreita de ACG. Essas três fontes do libreto tiveram muitas substituições e combinações e os arranjos foram muitos e confusos.
Mas, foi o próprio ACG que produziu grandes modificações e combinações no argumento de Taunay e sugeriu a troca de época da ação. ACG dá a Paravicini, o argumento abolicionista de Taunay, com ação passada em 1801, logo que o contrata.
Em seguida, lhe dá o poema “A Confederação dos Tamoios”, pois, queria usar motivos indígenas.
O libreto de “O Escravo” será uma mistura desses ingredientes, com guerras de índios tamoios e portugueses.
A ópera mais bonita de todas as compostas por ACG, se baseia, inicialmente, em uma peça de teatro de Alexandre Dumas Filho, pouquíssimo conhecida e comentada, chamada “Les Danicheff”, em fatos reais da vida de Alfredo Taunay, amigo de ACG e no poema épico “A Confederação dos Tamoios”, de Domingos José Gonçalves de Magalhães, inspirado em fatos verídicos da História do Brasil.
No aspecto cênico e teatral, tudo é lógico e de fácil entendimento e a música a tudo valoriza com admirável efetividade, tornando mais uniforme a obra. Em “O Escravo” não há desequilíbrios, nem cênicos e nem musicais, é uma ópera nobre na sua uniformidade, sua simplicidade e seu equilíbrio. A ação acontece em uma fazenda do Rio de Janeiro por volta de 1567, a fazenda do Conde Rodrigo junto ao rio Paraíba. Seu filho, o jovem oficial da Marinha, Américo, apaixona-se por Ilara, jovem indígena, que é mantida na fazenda como doméstica. O pai não admite o romance e nem o casamento do filho com uma escrava.
Ordena então, que o jovem se junte à armada portuguesa que está combatendo os Tamoios na baía da Guanabara.
Américo declara-se a Ilara e fala do receio de deixá-la. Parte acreditando que, ao voltar, seu pai abençoará o casamento. Mas o pai é inflexível e enquanto o filho está em combate, realiza o casamento de Ilara com Iberê.
Música de grande beleza e que atinge os objetivos de sua idealização.
A abertura - A Alvorada - é perfeita – trecho musical de raros dotes descritivos, cheio de matizes orquestrais evocando, em sonoridades vivas, a madrugada na floresta tropical, entre o murmúrio do arvoredo e o canto delicioso de nossos pássaros, terminando com um dinamismo orquestral riquíssimo e verdadeiramente empolgante.
São oito páginas saborosas, formando um poema musical de infinita delicadeza.
A inspiração melódica de ACG era tão profusa e variada, que jamais sentiu a necessidade de repetir suas frases, apresentando-as sob diferentes aspectos.
Eram sempre inéditas, e espontâneas.
Dedicada à Princesa Isabel.
São oito páginas saborosas, formando um poema musical de infinita delicadeza.
Com a proteção da Princesa, realiza-se a 1ª apresentação no Cassino Fluminense, com um concerto em benefício de ACG, para toda a nobreza brasileira. São arrecadadas 10.000 liras. ACG e o cantor De Anna são depois recebidos na Vila da Princesa, onde interpretam em avant-première e com grande sucesso alguns trechos de “O Escravo”.
Em 27 de Setembro de 1889, quarenta e oito dias antes da queda do Império, “O Escravo” é levado à cena, no Teatro Imperial D. Pedro II, com ACG regendo a orquestra e o coro do Teatro, registrando mais uma vitória para o maestro, alvo de entusiasmados aplausos.
Foi batizada como a ópera abolicionista por excelência, o trabalho que comemora, num conjunto de harmonias irretocáveis, os cânticos de glória da admirável aventura restauradora de um grande e nobre povo.
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