A ação se passa na Inglaterra do século XVI: numa praça, um grupo de nobres, entre eles D. Gil, embaixador da Espanha, comenta a ligação da soberana, Maria Tudor, com o aventureiro Fabiano Fabini, que ao conquistar o amor de Maria, consegue dominar a corte.
Mas, D. Gil descobre que Fabini, usando o nome Lionello, trai a rainha, tentando seduzir Giovanna, uma moça do povo e noiva do operário Gilberto.
Prevenido por D. Gil, Gilberto jura vingança, mas D. Gil conspira contra o aventureiro italiano, preparando uma vingança maior junto à rainha. Carlos Gomes fica dividido entre sua arte e a opinião da crítica e do público em toda a partitura dessa ópera.
A colaboração de Boito no libreto de Maria Tudor é completamente ignorada pelos biógrafos e em geral, pelos estudiosos da ópera italiana do século. Na fachada principal da partitura aparece apenas o nome de Praga.
Em Maria Tudor, tentaria ser o Carlos Gomes da Fosca para os entendidos, e do Salvador Rosa para os italianos, para os menos exigentes.
A sinfonia introdutória de Maria Tudor é apontada por muitos como formalmente a mais perfeita abertura de ópera composta por Carlos Gomes.
Dois dias antes da estreia, em 25 de março, refazia ainda a Maria Tudor. O maestro enfrentou o maior desafio de sua vida de compositor. Em vez de uma obra simples e direta, composta sem dificuldades, seria justamente por ser difícil, a partitura mais moderna de todas as escritas pelo compositor.
Maria Tudor nunca ficou pronta, essa é a verdade. Foi entregue por Carlos Gomes aos editores em fins de 1878, depois de quatro anos de trabalhos frequentemente interrompidos.
Traz em sua monumental partitura, exemplos da melhor música que se podia escrever dentro do panorama da ópera italiana de seu tempo. Inicia-se com um prelúdio, formalmente, o mais perfeito dos compostos por Carlos Gomes.
Estreou em 27 de março de 1879.
Maria Tudor não acabava de maneira corriqueira, era nova em sua alternância perfeita de voz/orquestra. Em vez de terminar como um número fechado, que todo mundo sabe como vai acabar, dava seguimento ao discurso e o público surpreendia-se e não se dava conta do alto valor da nova obra – não tinha ido ao teatro para aprender nada, mas para divertir-se.
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