Suas Óperas

"O GUARANI"

 

O Guarani

Sua terceira ópera em ordem cronológica, a primeira em italiano, logo após as revistas "Se sa minga" (1866/67 em milanês) e “Nella Luna” (1867/68 – em italiano). Por dois anos, Carlos Gomes e Scalvini trabalharam na ópera, tirando um personagem, substituindo por outro etc.

Com os obstáculos, foi-se conduzindo lentamente: poeta e músico tinham personalidades idênticas; apaixonados ao extremo, cada um queria fazer prevalecer o seu ponto de vista – era a busca da perfeição sem o entendimento das partes.

Para apaziguar as coisas, foi chamado o poeta d’Ormeville que, juntamente com Scalvini, elaborou afinal o libreto. Os conflitos continuaram e Carlos Gomes pediu a d’Ormeville que terminasse o libreto.

Suas músicas são originais, têm um sabor característico e selvagem, evocando a nossa selva e a nossa natureza. Seus acordes fogem a qualquer influência, o que demonstra a sua espontaneidade própria e diferente. É o apogeu de um gênio transbordante de talento.

Suas melodias têm um sabor agreste, evocador de nossas selvas; são cânticos cheios da luz fulgurante, do ruído misterioso de nossa majestosa natureza; música feita com o coração fremente e patriótico de um descendente direto dos silvícolas de nossa terra, brasileiro puro.

Para se conseguir a apresentação de O Guarani no Scala foi uma verdadeira odisseia. Nenhum principiante poderia utilizar o teatro sem oferecer um presente de dez mil liras, pois era um favor que a direção do teatro fazia, e Carlos Gomes não tinha o dinheiro para isso. As 10.000 liras deveriam ser dadas antecipadamente e ainda havia o dinheiro de todos os gastos com a ópera, tudo por conta de Carlos Gomes.

O sucesso de O Guarani constitui um dos maiores triunfos que se relatam na história da música de todos os países.

O Guarani é um drama que se desenrola rapidamente, orquestrado com audácia e com uma ingenuidade melódica que só serve para lhe aumentar o encanto. Foi um sinal de renovação no melodrama italiano, assim como o seria a Fosca, com muito mais força e definição em 1873, após seguidas revisões.

A ópera estreia em Milão em 1870 e logo ganha uma outra abertura, apresentada pela primeira vez em 1871, na Exposição Internacional de Milão. Um prelúdio mais modesto dava início à ópera.

A orquestra da ópera era composta dos mais notáveis professores. Era preenchida por mais de cem deles: 16 primeiros violinos, 8 violinos, 12 violoncelos, 9 contrabaixos, 2 harpas etc.

Todo o corpo do baile contava com mais de 500 pessoas.

O romance foi escrito em 1857 por José de Alencar. Cecília é cobiçada pelo aventureiro espanhol Gonzáles e D. Álvaro, nobre português. Por engano, um dos caçadores de D. Antonio, pai de Ceci, mata uma jovem índia Aimoré e os índios querem vingança. Por pouco, Ceci não é a primeira vítima da ira dos índios, sendo salva por Peri, um Guarani fiel à família.

Mais tarde, Peri confessa amor a Ceci; descobre uma conspiração dos aventureiros contra D. Antonio, que tentam raptar Ceci e mais uma vez a salva.
A fortaleza é invadida e o casal é preso. Desta vez, é D. Antonio que salva Peri. Há nova conspiração contra ele que pede a Peri que fuja levando Ceci, pois a fortaleza está prestes a explodir.

A procura de instrumentos indígenas foi outro tormento. Em certos trechos de música nativa eram necessários borés, tembis, maracás ou inúbias. Como não os encontrou pela Itália, andou por toda a Milão e mandou fazê-los, sob sua direção, numa famosa fábrica de órgãos, em Bérgamo.

A maior e mais importante obra do romantismo literário brasileiro: romance histórico de José de Alencar, publicado pela primeira vez em folhetins de jornal em 1857, logo depois publicado em livro que teve enorme sucesso e aceitação do público – todos o liam.

Está inserido dentro do Indianismo, apesar de José de Alencar tê-lo sempre qualificado de "romance histórico".