Suas Óperas

"JOANNA DE FLANDRES" ou "A VOLTA DO CRUZADO"

 

Joana de Flandres

É uma tragédia lírica em quatro atos. O início da ópera é uma sinfonia; o melodismo é fantástico, cheio de inflexões graciosas, de modulações delicadas. O seu talento era o de um privilegiado que possuía bastante sensibilidade para impor-se.

Apesar das barreiras, Joanna de Flandres tornou-se o ponto alto de sua carreira; com 27 anos, mantinha-se fiel ao romantismo gótico.

Depois de numerosos adiamentos provocados por desacordos entre o compositor e os gerentes italianos do teatro, em 15 de setembro de 1863, estréia a ópera Joanna de Flandres ou A volta do cruzado no Teatro Lírico Fluminense do Rio de Janeiro, com libreto de Salvador de Mendonça, na presença do Imperador. No frontispício da partitura autógrafa, lê-se: “Posta em cena pelos autores no dia 10 de Setembro de 1863. Teatro Lírico do Rio de Janeiro.

A influência de Verdi ainda é forte.

Drama lírico em quatro atos, dedicado a D. Pedro II, os originais da ópera somam 1.054 páginas manuscritas, num total estimado em mais de 85 mil compassos. Trata-se de uma peça para solistas, dois coros e grande orquestra.

Depois da estréia, a peça nunca mais foi montada, ficando esquecida durante todo este tempo.

A ação se desenvolve em Lilly, na França, em 1.225; é uma peça baseada numa figura histórica, embora romanceada. O prelúdio que prepara e antecede a grande cena e ária de Margarida, irmã de Joanna, presa e confinada por esta, numa masmorra nos subterrâneos do castelo.

Grande massa coral (coro de franceses e flamengos), a ópera possui momentos de puro abandono melódico, quase lembrando a modinha.

No alto da página original (e autógrafa), lê-se: Este solo de flauta é escrito e dedicado ao insigne flautista Sr. Reichert.
Trata-se do grande e famoso flautista belga M.A.Reichert.

O pai de Joanna, o conde Balduino, vai para as cruzadas e desaparece por um longo tempo e ela acaba tomando o poder de Flandres. Joanna é auxiliada nessa tarefa de conquista de poder pelo ambicioso trovador Raul de Mauleon, seu amante. O pai reaparece e é feito prisioneiro como impostor. Ambos começam, então, a fazer uma sucessão de maldades.

Os flamengos saúdam Balduíno para reconduzi-lo ao trono, quando ele está para ser executado.

Raul, cheio de remorsos, mata Joanna e, antes de ser punido, apunhala-se tombando morto.

Joanna de Flandres já apresentava sinais da genialidade dele pela harmonia muito bem-estruturada da música; uma obra bem trabalhada em termos de orquestração.

Com seu estilo característico, prenunciava o talento que emprestaria a suas peças mais conhecidas.

Foi com essa ópera de grande importância, por ser uma das primeiras óperas compostas em língua portuguesa, que foi agraciado com a bolsa de estudos em Milão, a qual lhe proporcionou o pleno desenvolvimento de suas qualidades técnicas e artísticas, transformando o diamante bruto no maior compositor de óperas das Américas.

Comentário do Jornal do Commercio, de 17 de setembro:

“Tem ela muita facilidade e espontaneidade na composição; essa mesma facilidade, contudo, o faz às vezes descer da altura em que poderia manter-se e cai aqui e ali no trivial. O estilo é puramente italiano, sendo talvez, a falta de cunho próprio que, por vezes, faz parecer imitação o que, todavia não é de ninguém, antes, quando muito, seria de todos.”