Suas Óperas

"A NOITE DO CASTELO"

 

A noite do castelo

Do início dos estudos à apresentação de A Noite do Castelo, passaram-se vinte meses de aperfeiçoamento. Carlos Gomes foi a uma livraria e comprou o poema de Castilho.
Leu-o durante toda a noite. Depois do livro, estudou o libreto.

Carlos Gomes contava 25 anos e, em 4 de setembro de 1861, estreava no Teatro Lírico Fluminense a ópera lírica em 3 atos A Noite do Castelo, dedicada a Francisco Manuel da Silva. A ópera é um sucesso, precursora de uma estética que surgia.

Ópera de grandes qualidades  musicais, vigor dramático, espontaneidade, beleza e fluência melódica, com grande lirismo nos duetos.

O Libreto é de Antonio José Fernandes dos Reis, baseado no poema de Antonio Feliciano de Castilho, o poeta português cego.

Ela enfoca um acontecimento da época das primeiras cruzadas; a ação passa-se no castelo do Conde Orlando, em Portugal. É a história de Leonor, dividida entre a paixão por Fernando e a promessa de fidelidade a seu noivo, Henrique, sobrinho do Conde, que partiu para as cruzadas e ela crê morto há tempos. A música é muito influenciada por Donizetti, Bellini e Verdi. A ópera reunia música de muito boa qualidade. Na noite do contrato nupcial entre Leonor e Fernando, seu novo noivo, Henrique, reaparece e promete vingança.

Era inevitável e natural que Carlos Gomes baseasse sua primeira experiência teatral em estruturas já consolidadas e seu modelo era principalmente Verdi.
Carlos Gomes foi ao Paço de São Cristovão oferecer e dedicar a S.M., o Imperador, a sua primeira ópera.

Em 2 de junho de 1888 é que A Noite do Castelo foi encenada, no velho Teatro São Carlos.

Chamaram-no gênio e repetidas vezes foi convocado ao palco, brindado com ramalhetes de flores e coroas de louros. Poucas vezes vira-se algo parecido.
Dois são os méritos principais desta composição: um é a expressão maravilhosa que envolve as passagens constantes de uma harmonia à outra; o outro, a incontestável originalidade da música, tão difícil de conseguir nestes nossos tempos de imitação e plagiato.

Sua ascensão no Rio é meteórica e extraordinária: entre sua partida de Campinas e a estréia de A Noite do Castelo foram quase dois anos.
D. Pedro II oferece-lhe uma medalha de ouro cravejada de brilhantes e o hábito de cavaleiro da Ordem da Rosa. Uma sociedade musical dá-lhe uma coroa de ouro maciço e as senhoras fluminenses, uma batuta de ouro e outra de unicorne.

O crítico musical Muzzio falando do mestre:

“Gomes é filho de si mesmo: nada viu, estudou ainda pouco e adivinhou tudo! A Noite do Castelo não tem nenhuma imitação servil e sua inspiração guarda bem toda a originalidade de sua individualidade artística. É belo triunfar assim aos vinte anos!”